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2012 / Tema 10

Tratamento Cirúrgico da Endometriose Profunda ( Surgical Treatment of Deep Endometriosis )

O tratamento da endometriose pode ser realizado por uma abordagem tanto clínica quanto cirúrgica. Como se trata de uma doença crônica, o tratamento clínico pode enfrentar limitações, além de interferir na fertilidade da paciente; já a cirurgia é uma opção terapêutica para atenuar os sintomas álgicos no longo prazo, com ganho na qualidade de vida.
 
Na suspeita de endometriose, a abordagem deve ser realizada preferencialmente em um centro especializado multiprofissional, em virtude da possibilidade de acometimento de di- ferentes órgãos. O mapeamento diagnóstico com ultrassom transvaginal e pélvico com pre- paro intestinal e/ou 
ressonância magnética é de suma importância no diagnóstico da doença e deve ser solicitado sempre para o direcionamento terapêutico.

As principais indicações cirúrgicas descritas neste capítulo são:
dor pélvica resistente ao tratamento clínico;
endometriose de apêndice evidenciada em exames complementares de imagem, visto ser diagnóstico diferencial com tumor carcinoide;
endometriose de intestino delgado, devido à possibilidade de obstrução intestinal; endometriose de retossigmoide com risco de obstrução intestinal; endometriose com acometimento do ureter, em virtude do risco de perda da função renal.

A paciente deve ser informada corretamente dos riscos do procedimento cirúrgico, e a excisão das lesões deve ser realizada em um único passo, tendo em vista o caráter multifocal da doença.

Ainda que a infertilidade seja uma das principais queixas da paciente com endometriose, não há evidências científicas sólidas, com estudos randomizados controlados, que respaldem a indicação cirúrgica para melhora da fertilidade de pacientes assintomáticas ou oligossinto- máticas quanto à dor pélvica, com desejo reprodutivo imediato e/ou futuro. Assim, a cirurgia é indicada somente para aquelas afetadas por dor refratária ao tratamento clínico ou enqua- dradas em alguma das indicações supracitadas.

A cirurgia também não deve ser indicada como complementação prévia das técnicas de reprodução assistida, visto que, até o momento, ainda não há evidência científica que sustente esse tipo de indicação.