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Pré-eclâmpsia e síndrome HELLP

#ExaMina

São Paulo, 12 de janeiro de 2026.

Pré-eclâmpsia e síndrome HELLP

A síndrome HELLP é uma complicação grave da gravidez, geralmente associada à pré-eclâmpsia. Ela ocorre quando há lesão nos vasos sanguíneos, o que pode provocar a destruição das células do sangue, alterações na coagulação, redução do número de plaquetas e comprometimento do fígado.

O nome HELLP vem do inglês: H de hemólise (destruição das células vermelhas do sangue), EL de elevação das enzimas do fígado (sinal de que o órgão está sobrecarregado) e LP de plaquetas baixas, que aumentam o risco de sangramentos.Estima-se que a síndrome HELLP acometa cerca de 10% a 20% das mulheres com pré-eclâmpsia. Assim como na pré-eclâmpsia, quanto mais cedo ela surge durante a gestação, especialmente antes das 34 semanas, maiores os riscos para a saúde da mãe e do bebê, exigindo acompanhamento médico rigoroso.

Quadro Clínico e diagnóstico 

De maneira geral, as principais queixas são mal-estar pouco definido, dor de cabeça, náuseas e dor na parte superior do abdômen, especialmente do lado direito. Estas duas últimas características são marcantes e devem ser sempre valorizadas.

Icterícia, colúria e sangramentos espontâneos podem estar presentes, mas são manifestações raras e associam-se a situações extremamente graves. No exame físico, hipertensão e proteinúria estão presentes em aproximadamente 85% dos casos, mas é importante notar que um ou ambos podem estar ausentes em pacientes com HELLP.

Assim, todas as gestantes com idade gestacional acima de 20 semanas, que procuram assistência com as queixas acima descritas, associadas ou não a vômitos, devem ser consideradas elegíveis para o diagnóstico de síndrome HELLP e precisam ser devidamente investigadas, independentemente de hipertensão arterial. 

Atenção 

Várias intercorrências clínicas podem confundir o diagnóstico da síndrome HELLP. As principais manifestações que competem com as manifestações laboratoriais características da síndrome HELLP são: a púrpura trombocitopênica trombótica (PTT), a síndrome hemolítico-urêmica atípica e a esteatose hepática aguda da gravidez, sendo importante ressaltar alguns aspectos úteis ao se considerar esses casos. 

Aspectos Terapêuticos 

Não é possível afirmar que existam medidas terapêuticas mais efetivas do que a realização do parto para os casos de síndrome HELLP. Nos casos com idade gestacional inferior a 34 semanas, a conduta expectante deve ser excepcionalmente praticada e não exceder 48 horas. Somente será adotada, se resguardadas condições maternas e/ou fetais estáveis para esse breve aguardo antes do parto. As justificativas para a adoção dessa tratativa são a possibilidade de otimizar as condições para assistência ao parto ou qualificar o prognóstico fetal mediante a administração de corticoides.

O parto deverá ocorrer em centro terciário e protocolos de atendimento devem estar bem definidos, promovendo avaliações com frequência individualizada, a cada seis a 24 horas, de acordo com a evolução, do ponto de vista clínico e laboratorial materno e revisando se há vantagens fetais.

Via de Parto

O parto vaginal é considerado a melhor opção, por apresentar menores riscos cirúrgicos, principalmente no que se refere ao sangramento. Entretanto, muitas vezes o tempo de preparo do colo e indução do trabalho de parto pode comprometer a segurança materna do ponto de vista de evolução da doença, sendo então o parto cesáreo plenamente justificável.           

Em vista dos riscos de hemorragia durante a cesárea, pacientes com plaquetas abaixo de 50.000/mm3 devem receber transfusão, precedendo o início do ato operatório. Sempre que possível, a anestesia local regional é a preferencial, posto que evita várias complicações da anestesia geral, como dificuldades de intubação e resposta vasopressora à intubação traqueal. Além disso, diminui a exposição fetal e o risco de tromboembolismo materno no pós-operatório.


Fonte: Artigo “Condutas práticas na pré-eclâmpsia complicada com síndrome HELLP”, de autoria do Dr. Henri Augusto Korkes, mestre e doutor pelo departamento de Obstetrícia da EPM/Unifesp, doutorado sanduíche pelo departamento de Medicina da Harvard Medical School, professor da disciplina de Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP e diretor científico da SOGESP Regional Sorocaba e Vale do Ribeira

Esta matéria completa, o médico associado, encontra na Revista SOGESP N°160.

 

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