Miomas na menopausa: quando observar, tratar ou operar?
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São Paulo, 27 de março de 2026.
Miomas na menopausa: quando observar, tratar ou operar?
Entenda como os miomas se comportam nessa fase e quais são as opções de tratamento
Os miomas uterinos são tumores benignos muito comuns. Ao longo da vida, podem estar presentes em até 70% a 80% das mulheres. Eles são especialmente frequentes na fase de transição para a menopausa (perimenopausa), período marcado por alterações hormonais e maior ocorrência de sangramentos uterinos.
Apesar de geralmente não serem graves, os miomas podem causar sintomas importantes e impactar a qualidade de vida, sendo uma das principais causas de consulta ao ginecologista nessa fase.
Por que aparecem e como evoluem?
Os miomas crescem sob influência dos hormônios femininos, principalmente estrogênio e progesterona.
Durante a perimenopausa, as oscilações hormonais podem levar a pequenas alterações no tamanho dos miomas. Já após a menopausa, com a queda desses hormônios, é comum que eles diminuam de tamanho naturalmente, muitas vezes com melhora dos sintomas.
Por isso, em muitos casos, apenas acompanhar pode ser uma opção segura.
Por outro lado, se o mioma continuar crescendo ou crescer rapidamente após a menopausa, é importante investigar com mais atenção, pois pode ser necessário descartar outras condições. Nesses casos, exames como a ressonância magnética ajudam a avaliar melhor a situação.
Outro ponto importante: nem todo sangramento nessa fase é causado por miomas. Alterações hormonais próprias da perimenopausa são uma causa frequente, e os miomas podem ser apenas um achado no exame, sem relação direta com os sintomas.
Principais sintomas
Nem todas as mulheres com miomas apresentam sintomas. Quando eles aparecem, os mais comuns são:
- Sangramento uterino fora do padrão, podendo levar à anemia
• Dor pélvica ou cólicas intensas
• Sensação de peso ou pressão na região pélvica
• Aumento da frequência urinária ou urgência para urinar
• Alterações intestinais, como constipação
Como é feita a avaliação
O primeiro passo é entender os sintomas e o impacto na qualidade de vida da mulher.
O principal exame utilizado é a ultrassonografia transvaginal, que permite avaliar o número, o tamanho e a localização dos miomas.
Em alguns casos, pode ser necessário complementar com ressonância magnética, especialmente quando há dúvida no diagnóstico, miomas muito grandes ou planejamento cirúrgico. Essa avaliação pode incluir biópsia ou histeroscopia, dependendo do caso.
Quando há sangramento fora do padrão, também pode ser necessário investigar o endométrio (camada interna do útero), principalmente em mulheres com fatores de risco, como:
- Idade acima de 50 anos com sangramento persistente
• Obesidade
• Alterações hormonais crônicas
• Síndrome dos ovários policísticos
• Uso de estrogênio sem acompanhamento adequado
• Falha no tratamento clínico
Quando apenas acompanhar é suficiente
Se a mulher não tem sintomas ou apresenta sintomas leves, o acompanhamento periódico com o ginecologista costuma ser suficiente. Essa é uma estratégia segura, especialmente quando a menopausa está próxima, já que os miomas tendem a diminuir naturalmente.
Quando usar tratamento com medicamentos
O tratamento clínico é indicado principalmente para controlar sintomas, especialmente o sangramento. Entre as opções estão:
- DIU hormonal (SIU-LNG): uma das opções mais eficazes para controlar o sangramento
- Uso de hormônios (como progestagênios ou anticoncepcionais) em casos selecionados
- Medicamentos que reduzem temporariamente o tamanho dos miomas (como análogos do GnRH), geralmente usados por tempo limitado
Esses tratamentos podem funcionar como uma “ponte” até a menopausa, quando os sintomas tendem a melhorar naturalmente.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia pode ser necessária quando:
- Os sintomas são intensos e afetam a qualidade de vida
• Há anemia importante
• Existe compressão de órgãos (bexiga ou intestino)
• Há suspeita de malignidade
• O tratamento clínico não funcionou
A principal cirurgia é a retirada do útero (histerectomia), que é o tratamento definitivo.
Em alguns casos, pode-se optar pela retirada apenas dos miomas (miomectomia), principalmente quando se deseja preservar o útero, embora isso seja menos comum nessa fase da vida.
Opções menos invasivas
Existem também alternativas que não envolvem cirurgia tradicional:
- Embolização das artérias uterinas: reduz o fluxo de sangue para o mioma, diminuindo seu tamanho
• Ablação por radiofrequência: utiliza calor para reduzir o mioma de forma localizada
Essas opções são indicadas em casos específicos e devem ser avaliadas individualmente.
Mensagem prática
Na perimenopausa, o mais importante é controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida, evitando tratamentos desnecessários.
A chegada da menopausa, na maioria das vezes, leva à redução natural dos miomas e melhora dos sintomas.
Pontos principais para lembrar
- A maioria dos miomas diminui após a menopausa
• Nem todo sangramento é causado por mioma
• Muitas mulheres não precisam de cirurgia
• O tratamento deve ser individualizado
• A decisão deve ser compartilhada entre médica e paciente
Fonte: Artigo “Tratamento dos miomas uterinos na perimenopausa e menopausa: quando observar, tratar clinicamente ou indicar cirurgia?”, de autoria de Fernanda Chin Yu Ogasawara Lee Yamada, especialista em Endoscopia Ginecológica pela EPM-UNIFESP e pós-graduanda do Setor de Mioma da EPM-UNIFESP; Letícia Sampaio Vilas Boas, especialista em Endoscopia Ginecológica pela EPM-UNIFESP e pós-graduanda do Setor de Mioma da EPM-UNIFESP; e Gustavo Anderman Silva Barison, professor adjunto do Departamento de Ginecologia da EPM-UNIFESP. Publicado na edição 162, da Revista SOGESP (jan-abr 2026).
Esta matéria completa, o médico associado, encontra na Revista SOGESP N°161.
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