Espessamento Endometrial: sintomas e condutas
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São Paulo, 12 de janeiro de 2026.
Espessamento Endometrial: sintomas e condutas
O endométrio é um tecido dinâmico, sujeito a variações fisiológicas ao longo do ciclo menstrual, durante o uso de hormônios e da transição menopausal. O termo “espessamento endometrial” (EE) não representa diagnóstico, mas um achado ultrassonográfico que necessita correlação clínica. O risco de câncer de endométrio em mulheres com EE é baixo quando não há sangramento uterino anormal (SUA), mas aumenta substancialmente na presença de fatores de risco como obesidade, síndrome dos ovários policísticos (SOP), uso de tamoxifeno e idade avançada.
A conduta deve iniciar pela definição do estado hormonal e sintomas: pré-menopausa assintomática, pós-menopausa assintomática ou presença de sangramento uterino anormal (SUA). A avaliação clínica deve incluir anamnese detalhada, fatores de risco para hiperplasia/câncer endometrial e uso de medicamentos hormonais ou tamoxifeno.
Diagnóstico e exames complementares
O exame transvaginal é exame de primeira linha na avaliação endometrial. O momento do ciclo interfere na medida. O achado de EE em mulher assintomática na pós-menopausa é comum e raramente maligno quando o endométrio é homogêneo, sem vascularização anômala e com boa interface com o miométrio.
A histeroscopia diagnóstica é o método de escolha para avaliação direta da cavidade, permitindo biópsia dirigida e remoção de pólipos. A biópsia aspirativa é alternativa eficaz quando o endométrio é homogêneo e acessível. A ressonância magnética é reservada para casos inconclusivos ou suspeita de invasão miometrial.
Ecografia com Doppler ou sonohisterografia ajudam no diagnóstico. O rastreamento ultrassonográfico sistemático de endométrio em mulheres assintomáticas não é recomendado por sociedades internacionais. Importante destacar que espessamento endometrial não significa câncer e, na maioria dos casos, o acompanhamento clínico é suficiente.
Conclusão
A condução do espessamento endometrial deve ser guiada pelo contexto clínico e risco individual, evitando tanto o subdiagnóstico quanto a investigação excessiva. Mulheres assintomáticas, especialmente na pós-menopausa, raramente necessitam de intervenção imediata. A correlação com sintomas e fatores de risco deve nortear a indicação de histeroscopia e biópsia.
Fonte: Artigo “Espessamento Endometrial: como conduzir?”, de autoria do Dr. Rogério Bonassi Machado, professor associado Livre Docente, Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí e Secretário Geral da SOGESP, e Dr. Armando Antunes Jr.
Esta matéria completa, o médico associado, encontra na Revista SOGESP N°160.
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