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#Examina - Lipedema: saiba mais sobre essa condição que afeta pelo menos 1 em cada 10 mulheres

São Paulo, 17 de maio de 2022.

Por Fabiano Elisei Serra

Se você já tentou emagrecer de todas as formas, faz dieta, pratica exercícios físicos, tem uma vida regrada, mas nunca conseguiu diminuir a gordura das pernas, você pode ter lipedema.

Lipedema é descrito como um aumento simétrico e circunferencial de gordura das nádegas, quadris e pernas, podendo afetar também os braços, mas que poupa o abdômen superior, tronco, pés e mãos. Existe, portanto, uma desproporção entre a parte superior e a parte inferior do corpo. Além disso, é comum se apresentar com uma espécie de “garrote” nos pulsos ou tornozelos onde a gordura do lipedema termina e a gordura “normal” começa (vide fotos). Acomete principalmente mulheres e tem como gatilhos para surgimento e para piora as oscilações hormonais tais como puberdade, uso de anticoncepcionais, gravidez, estímulo para reprodução assistida e menopausa.

Deve-se suspeitar da condição quando há desproporção da parte superior e inferior do corpo (parece uma pera distorcida) e as pernas não emagrecem, mesmo com mudança de estilo de vida. Pode haver sensibilidade ao toque, formação de manchas roxas na pele (equimoses e hematomas), dor nas pernas e joelhos, sensação de cansaço e peso nas pernas e, em casos mais avançados, inchaço (edema). Em geral, os pés são poupados. O diagnóstico é feito com a história da paciente e o exame físico.

As causas ainda não são bem definidas, mas sabe-se que há componentes genético-hereditários (pais podem “passar” lipedema para suas filhas) e que ocorre uma alteração no metabolismo das células de gordura que gera inflamação e danifica a própria gordura, os vasos sanguíneos, os linfáticos e os nervos, levando aos sinais e sintomas encontrados nas pacientes.

Pode-se classificá-lo em 5 tipos de acordo com a localização e em 4 estágios de acordo com a gravidade da doença (vide desenhos) e o tratamento deve ser individualizado de acordo com cada paciente.

São pilares fundamentais do tratamento:

  • reduzir a inflamação: menor ingesta calórica e evitar alimentos inflamatórios, como açúcares, farinha branca, álcool, carne vermelha e laticínios.
  • controlar a dor: com medicamentos analgésicos e suplementos que ajudam no bombeamento linfático.
  • melhorar o fluxo linfático: uso de meias de compressão, realização de drenagens linfáticas, exercícios em plataformas vibratórias, natação e pilates, por exemplo.
  • suporte emocional: apoio familiar, conhecimento da doença, psicoterapia e interação com outras mulheres com lipedema.
  • ajudar seu corpo a lidar com o lipedema: melhorar postura, diminuir gordura corporal e fortalecer a musculatura. Para alguns casos, a cirurgia (lipoaspiração) deverá ser considerada.

O lipedema é perigoso quando progride para o abdômen e tronco, resultando em risco para desenvolvimento de pressão alta, colesterol alto e diabetes. Não é, portanto, benigno ou simplesmente um incômodo cosmético; merece estudos sérios e desenvolvimento de intervenções.


Fotos: Arquivo pessoal