Telefone:  (11)  3884-7100        [email protected]
Logo SOGESP

#ExaMina – Afinal, o que é vaginismo??

#ExaMina

26.jun.2020 - Flávia Fairbanks

Afinal, o que é vaginismo?

O termo vaginismo, modificado mais recentemente para transtorno da dor genitopélvica/penetração (TDGPP), compreende um conjunto de mudanças físicas e comportamentais que impede ou dificulta qualquer forma de penetração vaginal, seja durante a relação sexual, durante um exame físico realizado por ginecologista ou até mesmo nas autotentativas com brinquedos eróticos.

Trata-se de um distúrbio relativamente comum, atingindo 0,5 a 1% da população feminina em geral e 5 a 17% das mulheres em serviços especializados em disfunção sexual. O quadro é representado por contração involuntária e persistente da musculatura do assoalho pélvico, acompanhado de medo e ansiedade em 80% das vezes. Frequentemente há associação com outras disfunções sexuais como transtornos de desejo sexual e de excitação sexual, principalmente após muitos episódios de tentativas mal sucedidas de penetraçāo.

A causa desse transtorno é multifatorial. Podem ser considerados fatores desencadeantes o histórico de abuso sexual (presente em 20% dos casos), traumas genitais, infecções, tumores pélvicos, cirurgias, radioterapia pélvica, educação sexual repressora, aspectos culturais e religiosos muito rígidos e outros aspectos psicossexuais.

Os sentimentos de vergonha e frustração sāo muito comuns e agravam o quadro psicológico. Além disso, muitos relacionamentos conjugais e interpessoais podem ser comprometidos pelo TDGPP e, nāo menos importante, alguns casos de infertilidade conjugal também podem ser atribuídos a ele.

A abordagem multiprofissional e interdisciplinar é a recomendação mais atual para tratar esse distúrbio. Ginecologistas, psicólogos, psiquiatras (quando indicado) e fisioterapeutas especializados em assoalho pélvico devem trabalhar de modo integrado, com protocolos bem definidos, que atingem níveis de sucesso terapêutico (possibilidade de conseguir penetração vaginal) acima de 80% quando os casos sāo bem conduzidos. O índice de satisfação das pacientes submetidas a esses tratamentos também é muito elevado, tanto no Brasil como no exterior.

Nesse cenário entendemos que o TDGPP é uma das disfunções sexuais com maiores chances de sucesso e cura, por isso estimulamos todas as mulheres que procurem assistência especializada quando apresentarem quadro compatível com esse transtorno.