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Longa jornada noite adentro

São Paulo, 18 de outubro de 2023.

Longa jornada noite adentro

Caras e caros colegas, pacientes e entusiastas do ofício médico,

No título deste texto, decidi recorrer à peça teatral do dramaturgo norte-americano Eugene O'Neill. É saudável, às vezes, lançar mão da ficção para suportar nuances da realidade. No Brasil, temos o SUS, obra densa, pujante, de infinitas possibilidades teóricas, além de uma série de belas páginas concretas.

Estamos nós, os médicos, neste sistema, nossa arte, por origem, é zelar pela saúde dos cidadãos. Ao longo de nossa própria jornada o’neilliana, em especial nos últimos anos, enfrentamos o obscurantismo que se manifesta em violência, descaso e desinformação. Se a luta é dura e sem tréguas, mas vencemos batalha por batalha, há motivos para comemorar, todos nós, este mês especial, em que temos aos 18 de outubro, o Dia do Médico.

A sabedoria, providente, recomenda gotas de reflexão várias vezes pela manhã, às tardes e de noite. Pensemos, por exemplo, se o cenário no qual estamos inseridos é próximo ao ideal ou pode melhorar – em alguns casos melhorar muito.

A Ginecologia e a Obstetrícia é área mais complexa e crucial. Nossas médicas e médicos ofertam cuidado delicado e humanístico ao lidar com a vulnerabilidade nas inúmeras viradas da vida de mulher e em outras tantas.

Da adolescência à menopausa e além, dos cuidados preventivos e na atenção à gestação e ao parto, eles dia a dia reiteram objetivamente compromisso com a boa saúde, com a continuidade da vida. Por todo o estado, por país, elas e eles combatem a enraizada opressão sobre as mulheres; com delicadeza, fazem-se merecedoras(es) da confiança de pacientes;  em vezes desconfortáveis, com queixas e histórias, dores e doenças, lutas e vitórias.

Mesmo os especialistas de longa experiência, sentem-se afetados. A “falta” - seja do que for - ainda choca; o descaso indigna. Contudo, sempre arrancamos  força, pois razões nos sobram para entregar mais ardor em prol da assistência à saúde delas.

Um exemplo de dificuldade e cabe-nos a mea-culpade acordo com o relatório Atenção Integral à Saúde das Mulheres Lésbicas e Bissexuais, do Ministério da Saúde (MS, 2014), apenas 47%  realizam consultas ginecológicas preventivas anualmente. Capacitar os profissionais de saúde para o acolhimento do público LGBTQIA+ é fundamental.

A SOGESP também se dedica a este tema há bom tempo, com debates sobre o tema durante os congressos, em lives, manuais de boa conduta e fóruns, como o celebrado Fórum de Acolhimento e Atendimento a Pacientes LGBTQIA+: Ginecologia e Obstetrícia, grande sucesso de público.

Além de educação continuada de qualidade, promovemos políticas de diversidade, garantindo o direito à participação ampla na estrutura organizacional e permanentemente abrindo novos canais ao diálogo e construção partilhada.

A propósito,  a questão da formação de qualidade pede um capítulo à parte. As entidades médicas se preocupam muito com esta questão atualmente em virtude da rápida proliferação de escolas médicas, o que faz pensar se é possível oferecer qualidade adequada de formação com uma expansão tão intensa da quantidade de vagas.

O recente estudo Demografia Médica no Brasil 2023, publicado em setembro pela Associação Médica Brasileira (AMB), à luz dos dados há pouco apresentados pelo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra que chegamos à marca de 550 mil médicos para 203.062.512 habitantes, ou seja, 2,69 médicos para cada 1.000 cidadãos. De 2013 a 2022, houve a maior expansão do ensino médico da nossa história; só perdemos em número de escolas para a Índia. Moral da história: médico existe, mas quantidade não é invariavelmente qualidade.

Avançamos resilientes e também observamos progressos significativos em diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças ginecológicas, bem como na assistência ao parto. Somos especialização multifacetada requerente de dedicação e atualização contínuas e uma abordagem holística.

A SOGESP, é claro, desempenha papel fundamental nesse processo. Embora estejamos cientes dos obstáculos e desafios à espreita, convidamos a todos a comemorar o “mês” dos médicos e médicas. Durante tantas jornadas – nem sempre escuras, nem sempre noites adentro - nos alimentam episódios de resiliência, dedicação, superação, momentos de alegria e a gratidão das e às nossas pacientes.

Nas palavras de Sir William Osler, “A medicina é uma ciência de incerteza e uma arte de probabilidade”. Como médicos seguimos, a despeito das incertezas, diariamente lutando pela saúde e pelo bem-estar da população.

Meus parabéns e gratidão a médicas e médicos e, em especial, a quem dedica vida à Ginecologia e a Obstetrícia.

 

Luciano de Melo Pompei, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo

 

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