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Notícias | SOGESP

Os cuidados nos tratamentos das disfunções sexuais femininas

A sala cheia para assistir o debate sobre Tratamento Farmacológico das Disfunções Sexuais durante o XII Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia traduz uma grande curiosidade dos médicos para melhor atender a saúde integral da mulher.

Nos dias de hoje, grande parte das mulheres se sentem merecedoras de uma vida sexual ativa e satisfatória, e a visita ao ginecologista é o momento de buscar soluções para as possíveis disfunções sexuais que elas venham apresentar.

Durantes as várias etapas da vida reprodutiva, a mulher enfrenta desafios diários em suas tarefas como esposa, mãe, profissional, além dos seus conflitos pessoais, o que acabar por afetar o seu desempenho no momento do sexo. Os profissionais que lidam com a saúde feminina se deparam diariamente com queixas das disfunções sexuais, tais como falta de libido, frigidez, anorgasmia ou mesmo vaginismo e aversão sexual.

Descartando os fatores físicos e hormonais, ligados ao diabetes, doenças neurológicas ou uso excessivo de álcool e drogas, a disposição sexual feminina é influenciada pelas diferentes fases do ciclo menstrual, gravidez e menopausa. A oscilação do desejo sexual da mulher muitas vezes entra em desacordo com a libido masculina, mais frequente e constante, gerando insatisfações perante expectativas não atingidas.

O debate, sob a coordenação dos médicos Gerson Pereira Lopes e José Renato Sampaio Tosello, focou no desafio do médico ginecologista em administrar ou não medicamentos para sua paciente recuperar plenamente sua função sexual. A psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, referência do assunto no país, afirmou que “o critério é o sofrimento pessoal, e não a tentativa de satisfazer o parceiro ou ter uma atividade sexual sem desejo, afinal a mulher pode ser assexual, classificação em que se enquadram cerca de 7% delas”.

Os palestrantes, incluindo a médica Flávia Fairbanks Marino, foram unânimes em afirmar que a diminuição do desejo não acontece de repente, e em geral, é consequência de alguma mudança significativa na vida desta paciente, elemento que muitas vezes não é percebido como causador desta falta de apetite sexual.

Nos casos em que o médico ginecologista opte por introduzir qualquer fármaco, uma avaliação cuidadosa da saúde física e mental desta mulher é vital para atingir o melhor custo-benefício, minimizando os efeitos colaterais, com menor impacto em aspectos como sono, humor, apetite ou eventual ganho de peso.

O debate sobre o uso de fármacos no tratamento das disfunções sexuais mostrou como cada vez mais o médico ginecologista precisa estar capacitado para ocupar o papel de conselheiro na vida desta mulher moderna, que procura atenção para sua saúde na totalidade, incluindo a satisfação sexual.